A Strategy, empresa comandada por Michael Saylor, iniciou no Brasil a transição do seu software de business intelligence para o Mosaic, uma camada semântica voltada a preparar dados para uso com IA. O movimento envolve clientes públicos e privados.
Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (07/10/2026), Banco Central e Procuradoria-Geral da República (PGR) estão entre as organizações citadas como usuárias em migração. A Strategy afirma ter mais de 150 clientes no país.
O cronograma informado é de até dois anos para concluir a migração, com 50% a 60% da base brasileira já em transição, de acordo com o diretor regional Mariano Urman. A empresa não detalhou faturamento local.
O que este artigo aborda:
- O que muda: do dashboard ao “governo” das definições de negócio
- Quem está migrando e por que isso importa no setor público
- Contexto do mercado: corrida pela camada semântica para IA
O que muda: do dashboard ao “governo” das definições de negócio
A mudança marca uma aposta: em vez de concentrar valor apenas em relatórios, a Strategy quer vender uma camada que padroniza conceitos de negócio. A proposta é reduzir divergências entre áreas e ferramentas.
O Mosaic é descrito como uma camada intermediária que organiza relações, regras e cálculos entre diferentes bases, preservando permissões. Assim, a mesma métrica tende a manter o significado mesmo em ambientes distintos.
A reportagem aponta que a plataforma atua sobre múltiplos bancos e nuvens, sem exigir reunir tudo em um repositório único. A narrativa é que isso acelera análises sem perder rastreabilidade e controle.
- Problema endereçado: métricas diferentes para a mesma pergunta (“receita”, “cliente ativo”, “inadimplência”).
- Benefício prometido: consistência para BI e para agentes de IA consultarem os mesmos conceitos.
- Risco implícito: custo e complexidade de implantação em organizações grandes.
Quem está migrando e por que isso importa no setor público
A lista citada inclui Banco Central e PGR no setor público e empresas como Bradesco Seguros, Totvs e TIM no privado. O recado é claro: o alvo é o uso corporativo, em escala.
Para órgãos públicos, a discussão vai além de eficiência: envolve governança, auditoria e limites de acesso. A migração sugere que BI tradicional, sozinho, já não atende ao apetite por automação via IA.
De acordo com a apuração, o desafio da Strategy será provar que a “camada adicional” de governança gera retorno suficiente. Em outras palavras: convencer que o ganho não é só técnico, mas financeiro.
- Mapear métricas críticas e donos das definições.
- Conectar fontes heterogêneas sem quebrar permissões.
- Operar a transição sem interromper relatórios essenciais.
Contexto do mercado: corrida pela camada semântica para IA
A pressão por dados confiáveis cresce porque agentes de IA podem amplificar erros: uma definição incorreta escala para toda a operação. Por isso, camadas semânticas voltaram ao centro do debate.
Na prática, o Mosaic tenta posicionar o “cérebro” do BI fora das ferramentas de visualização. Essa separação tende a reduzir o retrabalho quando empresas trocam de plataforma, nuvem ou arquitetura.
A própria Strategy descreve o produto como uma camada semântica universal com governança nativa, mirando simultaneamente BI e IA.
No Brasil, a mudança ganhou tração após a notícia de que a migração deve alcançar toda a base em até dois anos, com parte relevante já em curso.
Antes, a empresa já vinha apresentando o Mosaic ao mercado em eventos, como o Mosaic Summit em São Paulo, reforçando a narrativa de dados “prontos para IA” com controle corporativo.
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